Uma trajetória também é feita de vestijos - preservar a memória é um ato importante para criação e manutenção da identidade.
Desde 2008, venho construindo minha trajetória por meio da escrita, da literatura, dos projetos que criei, das ideias que desenvolvi e das histórias que escolhi contar. O tempo passa, os projetos mudam de nome, algumas ideias amadurecem, outras ficam pelo caminho. Mas aquilo que foi vivido não desaparece. Fica registrado em fotografias, entrevistas, jornais, revistas, publicações, documentos, projetos e outros fragmentos que ajudam a contar quem fui — e quem estou me tornando.
Este Acervo de Memórias reúne parte desses vestígios. Aqui, minha trajetória pode ser vista não apenas como uma sequência de acontecimentos, mas como um processo de construção. Um arquivo de fases, experiências, trabalhos, encontros e transformações que atravessam minha vida como escritora e criadora negra. Não se trata de preservar o passado como algo intocável. Trata-se de olhar para ele. Porque algumas memórias ganham outro significado quando revisitadas com os olhos de quem já percorreu outros caminhos.
Um arquivo em construção
Este não é um arquivo encerrado. É um arquivo em movimento. Novos registros poderão ser incorporados à medida que forem localizados, organizados e contextualizados. Porque preservar uma trajetória também é uma forma de reconhecer o caminho percorrido.
Antes de saber exatamente onde eu estava indo,
já estava deixando rastros.
