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Do Camarote ao Luto: O Caso Manoel Neto e o Peso de ser Intelectualidade Preta

  • Foto do escritor: Uiara Mei
    Uiara Mei
  • 27 de fev.
  • 2 min de leitura

Do Camarote ao Luto: O Caso Manoel Neto e o Peso de ser Intelectualidade Preta
Uiara Mei - Escritora, Autora, Critica literária, adora juntar filosofia, literatura e espiritismo em suas conversas

O Brasil parou para assistir à alegria do Carnaval, mas, nos bastidores do privilégio, uma tragédia silenciosa nos golpeou o peito. A partida do psicólogo Manoel Neto, após sofrer racismo em um camarote, não é apenas uma estatística de saúde mental. É o grito final de quem entendeu, da forma mais dolorosa possível, que o racismo estrutural tenta anular nossa humanidade, transformando-nos em meros recortes de pautas, nunca em pessoas plenas.


A Cor que Chega Primeiro: O Estigma no Espaço do Privilégio


Manoel Neto era um homem de saber, um psicólogo, alguém que cuidava da mente alheia. No entanto, em sua carta de despedida, ele nos deixou um alerta amargo: não importa o que você faça ou quem você seja, se você for preto, o mundo tentará te reduzir.


Sei bem como é essa sensação. Como Escritora/Autora Preta, sinto na pele que a minha cor sempre chega primeiro. Antes do meu intelecto, antes da minha escrita, antes da minha espiritualidade, o mundo enxerga o fenótipo. E, muitas vezes, esse olhar não é de acolhimento, mas de julgamento.



O Preconceito contra a Intelectualidade Preta


Existe um incômodo tácito quando um corpo preto decide ser um ser pensante. Para a estrutura racista, o preto deve viver às margens ou servir como entretenimento. Quando reivindicamos o lugar da intelectualidade preta, quebramos uma engrenagem.

O racismo estrutural não é apenas um xingamento; é a negação sistemática do nosso direito de existir com complexidade. Manoel sentiu isso no camarote — um espaço de "elite" onde a presença preta é lida como intrusa, a menos que esteja servindo.


Ialorixá Literária e o Combate à Intolerância Religiosa


No meu caminho, a resistência é dupla. Ao me identificar como Ialorixá Literária, enfrento não apenas o racismo, mas o preconceito da intolerância religiosa. É um "pré-conceito" que tenta silenciar o sagrado que me habita.


Minha sensibilidade e intuição são minhas maiores ferramentas, mas também são alvos. Se eu me fragmentar para caber no que a sociedade espera, eu me perco. Por isso, no meu saber pessoal e nas minhas escritas, busco fechar as janelas das distrações e focar no que realmente importa: a preservação da nossa memória e da nossa saúde mental.


O Silêncio que Adoece e a Necessidade de Resistir


É desolador perceber quão pouco se fala sobre o impacto do racismo na saúde mental da população negra. O caso de Manoel Neto deveria ser um divisor de águas. Precisamos parar de ser tratados como "pautas" para sermos respeitados como indivíduos que sentem, sangram e cansam.


A resistência não é apenas sobreviver; é ocupar o espaço do pensamento e da espiritualidade com a cabeça erguida.


Eu Sou a Resistência


A história de Manoel Neto nos deixa um luto, mas também um compromisso. Não permitiremos que nossa intelectualidade seja silenciada. Enquanto tentarem nos empurrar para as margens, usaremos nossas letras, nossos búzios e nossos saberes para construir centros de poder.


Sou resistência porque existo. Sou resistência porque penso. E sou resistência porque me recuso a ser apenas um recorte.


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