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A Fragmentação do Olhar: Por que a "Não Escolha" da Mulher Preta vai além da Cor do Outro?

  • Foto do escritor: Uiara Mei
    Uiara Mei
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura


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Uiara Mei - Escritora, Autora, Critica literária, adora juntar filosofia, literatura e espiritismo em suas conversas

Vivemos em uma era de debates rápidos em redes sociais, onde o tema "homens pretos que preferem mulheres brancas" costuma ser reduzido a uma questão de preferência individual ou "palmiterismo". No entanto, convido você a fechar as janelas das distrações superficiais e mergulhar no silêncio da reflexão profunda.


A dor de não ser escolhida, que tantas mulheres pretas carregam como um amuleto pesado no peito, não nasce no post da influenciadora de hoje. Ela é uma memória ancestral de insuficiência, uma narrativa desenhada para que nunca sejamos vistas como um "todo".


O Recorte do Objeto vs. O Sujeito


O senso comum foca no homem preto que ascende socialmente e busca a "branquitude" como troféu. Mas o buraco é mais embaixo. A verdade incômoda é que a mulher preta, dentro da estrutura colonial, é frequentemente lida como insuficiente — seja pelo homem preto, seja pelo homem de qualquer outra cor.


Não se trata apenas de "quem ele prefere para casar", mas de quem ele é capaz de enxergar como humana completa. Como bem disse o filósofo e psiquiatra Frantz Fanon em Peles Negras, Máscaras Brancas:


"O branco é fechado na sua brancura. O preto na sua negritude. Mas o que importa é a humanidade."

Quando o olhar do outro — seja ele qual for — é mediado pelo racismo, a mulher preta deixa de ser um sujeito com desejos, medos e complexidades para se tornar um recorte: ou é a força inabalável, ou a hipersexualização, ou o cuidado servil. Nunca o todo.



A Epigenética da Insuficiência


Muitas vezes, essa sensação de ser "menos" ou de "não pertencer" ao altar do afeto não é apenas sua. É um registro celular. São memórias de ancestrais que foram preteridas em nome da sobrevivência ou do lucro. No meu Grimório, anoto sempre: o que não é curado na alma, o corpo manifesta como exaustão.


Quando o mundo não parece ser o seu lar, é porque a estrutura nos empurra para as sombras. A mulher preta é condicionada a acreditar que precisa de uma "performance de utilidade" para ser amada. Se ela não é útil, ela é invisível.


Saindo do Senso Comum: A Estratégia do Pouso


A solução para essa angústia não está em implorar pelo olhar de quem não consegue nos ver. A verdadeira estratégia de poder — e aqui entra O Poder do Pouso — é retirar o nosso valor do mercado dos afetos coloniais.


Para sair do senso comum, precisamos entender que:

  1. A solidão não é um fracasso pessoal, é um projeto político.

  2. A "escolha" do outro não define sua completude. Se um homem não te vê como um todo, o problema é a miopia dele, não a sua falta de luz.

  3. A intelectualidade preta deve servir para a libertação emocional, não apenas para o debate teórico.


Reflexão para a Alma


Se você se sente confortável nas sombras, como eu, use esse tempo para observar de onde vem a sua necessidade de validação. Se a estrutura te diz que você é insuficiente, responda para ti mesma: EU SOU INTEIRA como a lâmina que corta a ilusão e o espelho que reflete apenas a verdade da sua majestade.


A nossa maior rebeldia não é ser escolhida por eles, mas escolher a nós mesmas em nossa totalidade.


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