Está tudo bem não decidir nada hoje: um desabafo sobre o esgotamento da alma
- Uiara Mei

- há 2 dias
- 3 min de leitura

Querido leitor,
Escrevo estas palavras não como uma especialista que observa o cansaço de longe, mas como alguém que, recentemente, precisou aprender a silenciar o mundo para não desmoronar.
Saí de um relacionamento caótico. Daqueles que não esgotam apenas a mente, mas a alma. Quando a poeira baixa e o silêncio finalmente chega, ele não traz paz imediata; traz um peso, um luto e traumas que resolveram acordar todos ao mesmo tempo.
Nesse estado, decidir qualquer coisa — até o que comer — parece uma agressão. Se você sente esse desânimo que "cola" no corpo, quero te dizer o que demorei a aceitar: Sua bateria emocional chegou ao 0%, e forçar a barra só vai te machucar mais. Cuide do esgotamento da sua alma.
O que ninguém te conta sobre o esgotamento mental
Às vezes, a gente acha que é indecisão ou falta de foco, mas a psicologia dá um nome para isso: fadiga de decisão.
Imagine que sua capacidade de escolher é como um músculo. Depois de um trauma ou de um período de estresse intenso, esse músculo entra em colapso. No meu caso, o caos do relacionamento consumiu todo o meu estoque de energia. Eu não estava ficando "devagar", eu estava apenas sem combustível.
Como saber se você chegou ao seu limite?
No meu processo, percebi que o corpo avisa quando o cérebro "entra na reserva":
A paralisia do nada: Você fica olhando para o teto sem conseguir começar o dia.
A irritação com o pequeno: Uma pergunta boba de alguém vira um gatilho de choro ou raiva.
A vontade de fugir: O desejo de sumir só para não ter que dar nenhuma resposta.
Por que "decidir amanhã" é um ato de amor-próprio
A cultura do "resolva agora" é tóxica quando estamos atravessando o luto ou o trauma. Decidir sob essa névoa emocional é como tentar ler um mapa no meio de um furacão.
Aprendi que esperar o descanso não é procrastinação, é sabedoria por três motivos:
A clareza vem com o silêncio: Durante o sono, nosso cérebro limpa o "lixo" do dia. O que parece um monstro às dez da noite, vira apenas um problema comum às oito da manhã.
Menos impulsividade: Quando estamos exaustos, tendemos a escolher o caminho mais fácil (ou o mais autodestrutivo). Dar tempo ao tempo protege suas escolhas.
Preservação: Sua prioridade agora não é a escolha perfeita, é sobreviver com integridade.
Como estou aprendendo a proteger minha mente
Para não chegar ao fim do dia sem forças, comecei a aplicar pequenas gentilezas comigo mesma que podem te ajudar:
Elimine as microdecisões: Deixe a roupa separada, o cardápio pronto. Não gaste seus últimos "centavos" de energia com o que é irrelevante.
Crie um "horário de silêncio": Depois de certa hora, eu não respondo mais ninguém que me peça uma decisão. Minha frase de proteção é: "Preciso de um tempo para pensar e te respondo amanhã com calma".
Respeite o seu ritmo: Se hoje o seu máximo foi conseguir descansar, você já fez muito.
O descanso também é um trabalho importante
Dizer "não vou decidir isso agora" é um sinal de força e autoconhecimento. Ao respeitar os limites do seu coração e do seu cérebro, você garante que, quando finalmente decidir, o fará com paz.
Se este texto te abraçou ou se você também está nesse deserto tentando recuperar o fôlego, deixe um comentário ou apenas um '🤍'. É bom saber que não estamos sozinhos nesse silêncio.
Vamos respeitar nosso tempo, um dia de cada vez.










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