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Por que se posicionar virou um problema?

  • Foto do escritor: Uiara Mei
    Uiara Mei
  • 26 de mai.
  • 6 min de leitura

Antes de começar com o tema da vez, quero agradecer aos 10 leitores do meu blog, sou imensamente grata pelas visitas. Sei que muitos me seguem e não tem o interesse em saber o que penso, por que penso, e para que penso e compartilho com o mundo, apenas me seguem. Muito obrigada!


Por que se posicionar virou um problema?
Uiara Mei - Escritora, Autora, Critica literária, Pensadora, Ativista do Discernimento; adora juntar filosofia, história, literatura e espiritismo em suas conversas.

Quero, antes de mais nada, reforçar que não me dirijo a ninguém em específico. Falo sempre de uma problemática existente; afinal, se alguém levantou essa pauta, é porque ela é um assunto comum dentro de alguma comunidade. Então, o que eu vou refletir aqui com você pode agradar ou até chatear de alguma forma; isso dependerá da maturidade de quem lê. E a compreensão será mais a respeito de quem lê do que de quem escreveu. E eu não quero ter razão, só quero ter o direito de compartilhar a minha compreensão de mundo.


Muitos acreditam que "gritar" ( o BERRO ) para se impor é questão de sabedoria e inteligência, mas quem pensa assim está enganado; isso é somente a necessidade de uma criança interior ferida em ser ouvida — ou, quem sabe, o sintoma de uma época que perdeu a capacidade de escutar. É preciso investigar a causa.


Gritar não leva ninguém a lugar algum. Dizem por aí que, se você não gritar para defender o seu próprio território, não será respeitado. Posso dizer ainda que o grito, para muitos, virou um artifício de rebelião: "Eu vou gritar para assustar e pôr medo no adversário". Pode até ser uma estratégia de intimidação, mas não é a mais inteligente.


E por que se posicionar ao contrário da grande massa, nos dias de hoje, virou uma problemática e um grande desafio? Se posicionar não precisa de gritos ou de "rebeldia". Se posicionar é, simplesmente, dizer que não concorda com a forma como está sendo conduzido o "progresso".



Por que você grita? Por que as suas lutas precisam de agressividade?


Enfim, onde a ignorância ganha palco, a sabedoria fica em silêncio. Você não precisa gritar para marcar sua posição ou se fazer respeitar.


Por que estou falando sobre esse assunto? É porque, ultimamente, alguns acontecimentos pessoais têm me levado a me posicionar para impor limites em certas relações. Não adianta fingir não ver, mas também não é qualquer guerra que irei batalhar. Escolho apenas aquelas que me ferem direta ou indiretamente. Não sou a pessoa do grito — detesto pensar que tenho que me impor aos berros. Quando não existe nenhuma outra alternativa sensata, não tem jeito, falo mais alto, mas não gosto; me sinto muito mal depois. Sou uma pessoa da observação, da reflexão e da maturação. A idade vai chegando e vamos amadurecendo a cada novo segundo.


Me posicionar nas redes tem sido um grande divisor de águas — e de relações virtuais também. Cada pensamento profundo compartilhado são menos seis seguidores na lista.

Se posicionar requer conhecimento, sabedoria, discernimento e coragem. Não é para qualquer um, pois muitos têm medo de se expor e ser cancelados.


Então, o que seria o "politicamente correto"? Tudo o que fazemos na vida é política. Tudo envolve a ética, a moral e o livre-arbítrio.


Se eu me posicionar dizendo que não me afinizo com certas correntes idealistas porque, a meu ver, elas não fazem sentido e podem trazer problemas muito sérios a longo prazo, estarei eu errada? Devo ser silenciada por isso? Desde quando eu devo aceitar tudo o que é imposto pelo mundo como se fosse a minha verdade?


Hoje em dia é complicado dizer "eu não gosto de algo ou de alguém"; você ganha haters gratuitamente. Tudo hoje tem que ser didaticamente explicado, como se estivéssemos falando com crianças da pré-escola. Como bem observou o filósofo Edmund Burke, "as maneiras são de maior importância do que as leis", pois são elas que nos "barbarizam ou refinam". Quando abrimos mão do filtro do discernimento antes de falar ou escrever, escolhendo a agressividade e o grito, nós barbarizamos o espaço público. A verdadeira intelectualidade apartidária reside em resgatar essas maneiras, trazendo a ordem e a prudência de volta ao tabuleiro da vida. 


A verdade é que caímos em uma problemática profunda: a intelectualidade, o bom senso e o poder do discernimento viraram escravos dessa dita "liberdade de expressão". Criou-se um processo ilusório de libertação onde, sob o pretexto de que "todo mundo pode falar tudo", o que vemos é a hostilidade ao pensamento complexo. Antes de nos expressarmos, somos forçados a calcular mil possibilidades para não cair em armadilhas ou melindrar o tribunal do politicamente correto. A sabedoria foi domesticada pelo medo.


Não se trata de castrar quem se expressa naturalmente, mas de exigir responsabilidade. Antes da comunicação se tornar textual ou verbal, deveria existir um filtro crítico individual. Um autoexame que perguntasse: de onde vem esse pensamento e o que ele busca? Ele é meramente agressivo ou é institucional, esclarecedor e reflexivo? No calor da emoção, o maior sinal de autodomínio é escolher o silêncio estratégico para, só então, manifestar a ordem.


E já que estou falando de política — e dentro dela as coisas costumam ser ganhas na base do grito —, isso definitivamente não faz o meu "tipo". Hoje me considero uma conservadora moderna (ou evolutiva) apartidária que defende a ordem natural da vida e o respeito aos limites conquistados. Tenho profundas desconfianças de ideias revolucionárias sem pautas realmente significativas e claras.


Sei que, no cenário atual, o termo "conservador" foi sequestrado pela reatividade coletiva. Ficamos nós, os moderadores, no meio de um fogo cruzado violento entre alguns setores ideológicos mais rígidos que passaram a interpretar discordância como ameaça. Os donos das ideologias são incapazes de entender que existem núcleos, matrizes e oposições em relação às ideias dentro de cada espectro. Englobam todo conservadorismo em um bloco monolítico de ataque, ignorando que o verdadeiro conservador age para manter a ordem, a prudência e a coexistência, e nunca para anular o direito do outro de existir. O erro crasso dessa militância é englobar todas as camadas em uma única fôrma, ignorando que o pensamento conservador é uma árvore com muitas ramificações.


Eu não tenho nada contra ninguém, mas não invadam o meu espaço! Não usurpem a minha história, a minha existência. Se o mundo hoje exige que eu levante uma bandeira, eu me declaro uma ativista do discernimento. Busco as respostas dentro de mim, em vez de comprar um pacote de certezas prontas no mercado das ideologias; prefiro ser uma pensadora autêntica a ser uma mera repetidora de discursos. Sou ativista da emancipação da inteligência.


Um Estado sem meios para alguma mudança, é um sem meios para sua conservação." — Edmund Burke

Ao dizer que tudo na vida é política, resgato o sentido mais nobre e profundo desse conceito. A forma como organizamos nossa rotina, como estabelecemos limites nas nossas relações e como protegemos nossos territórios sagrados são atos políticos. E transpor isso para a macrofísica do poder (é a forma de poder que atua em larga escala, afetando grandes grupos de pessoas e sendo visível nas estruturas sociais e políticas) do país exige integridade.


Eu opero através do pluralismo. Não descarto uma ideia boa sobre políticas públicas só porque ela veio de um lado que eu não apoio totalmente. Consigo enxergar a necessidade de amparo social e direitos (frequentemente associados à esquerda), a importância da ordem, da segurança jurídica e da prudência (vistas na direita) e o pragmatismo da estabilidade (do centro). Fechar-me em uma única caixa ideológica me obrigaria a amputar partes da minha própria percepção da realidade. Para quem busca a profundidade, isso seria uma violência contra o próprio pensamento.


O meu desejo é de que a humanidade conviva em harmonia, onde cada um exerça seu livre-arbítrio sem usurpar o espaço alheio; é a busca por uma ordem cósmica e social equilibrada. Na verdade, a verdadeira política — no sentido grego original da palavra — deveria ser exatamente isso: a arte de organizar a polis (a cidade) para que os diferentes possam coexistir sem se destruir. Não quero que o mundo pare no tempo ou que as conquistas sociais retrocedam. Sei que a sociedade evolui, que novas realidades surgem. Eu só penso que essa transição seja feita com prudência, ordem e respeito aos limites, e não através de uma revolução que destrói os alicerces da casa. Não tenho a intenção de controlar a vida alheia ou ditar como o outro deve existir. O meu foco é proteger as instituições e as verdades concretas que garantem a estabilidade, sem precisar massacrar ninguém para isso.


Diante de um embate, eu sempre recorro a minha "cadeira do pensamento". Percebo que a minha natureza não é a do militante de internet que repete palavras de ordem. A minha bandeira é a do discernimento. Prefiro a distância saudável do partidarismo justamente porque a engrenagem partidária exige que você engula contradições sem questionar. Olhar de fora, com ceticismo diante de mudanças abruptas e com um profundo senso de justiça distributiva (cada um no seu espaço, com seus direitos salvaguardados), é o que me mantém equilibrada enquanto o mundo parece perder o rumo.


Para mim, muitos gritos não fazem sentido porque, de fato, o espaço público é amplo o suficiente para que todos existam, desde que uma narrativa não queira invalidar a experiência da outra. O discernimento nos ensina a respeitar a existência de todos, sem que precisemos abrir mão da nossa própria verdade histórica.


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