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Nem toda ansiedade pede ação: Por que o seu corpo está implorando por uma pausa

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    Uiara Mei
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura
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Uiara Mei

Querido leitor,

aprendemos que a ansiedade é um motor. Um sinal de que algo está pendente, que uma mensagem precisa ser respondida ou que um problema precisa de uma solução imediata. Mas, se você é como eu e já passou por períodos de grande desgaste, sabe que, às vezes, a ansiedade não é um convite para o movimento. É, na verdade, um grito do corpo dizendo que ele não aguenta mais correr.


Muitas vezes, a agitação que sentimos não é 'vontade de fazer', é sobrecarga. Tentar resolver a vida no meio de uma crise de ansiedade é como tentar arrumar a casa durante um terremoto: você só vai se cansar mais e, provavelmente, quebrar algo no caminho. Aprendi que a maior ferramenta contra esse desassossego não é a ação, é a coragem de parar.


No post anterior, a gente falou sobre como o cansaço rouba nossa capacidade de decidir. Mas hoje o buraco é mais embaixo: quero falar sobre como a ansiedade tenta nos forçar a decidir antes da hora.


Sinto que fomos treinados para acreditar que a ansiedade é um motor. Que aquele frio na barriga e o pensamento acelerado são comandos para resolver algo agora. Mas, e se eu te dissesse que, muitas vezes, a ansiedade não é um sinal para acelerar? Imagine ela como um alarme de incêndio: ele não está pedindo para você apagar o fogo com as mãos, está avisando que você precisa sair do prédio e respirar.


O erro de "resolver" a ansiedade com mais trabalho


Muita gente tenta silenciar o barulho mental sendo "super produtivo". A lógica parece boa: "Se eu terminar tudo o que está pendente, a ansiedade vai embora".


O problema é que agir sob o efeito do estresse agudo gera o que chamamos de ciclo de retrabalho. Quando você trabalha ansioso, comete erros bobos, esquece detalhes e a qualidade cai. No fim das contas, você gasta o dobro do tempo para consertar o que fez com pressa, gerando ainda mais estresse. É um ciclo infinito onde a produtividade é apenas uma ilusão.


Ansiedade Reativa vs. Ansiedade de Exaustão


Para lidar com isso, você precisa identificar de qual "monstro" estamos falando:

  • Ansiedade Reativa: É aquela ligada a um problema real. Um prazo apertado, um conflito com o chefe ou uma conta para pagar. Aqui, a ação focada ajuda.

  • Ansiedade de Exaustão: É quando sua mente está tão cheia que começa a girar em falso. Sabe quando o motor do carro acelera, mas o carro não sai do lugar? É isso. O problema não é externo; é o seu sistema nervoso dizendo que "deu". Nesses casos, fazer mais não resolve nada, porque a pausa é a única ferramenta de reparo.


Como identificar que o seu momento pede uma pausa agora


Se você está na dúvida se deve continuar ou parar, observe estes sinais claros do seu corpo:

  • Respiração curta: Você sente que o ar não chega ao fundo dos pulmões, mesmo sentado.

  • Paralisia digital: Você abre dez abas no navegador, pula de uma para outra e não consegue concluir uma única frase.

  • Urgência sem objeto: Você sente que "precisa fazer algo urgente", mas se parar para pensar, não sabe exatamente o quê.

  • Tensão física: Ombros na altura das orelhas e mandíbula travada (relaxa esse rosto agora!).


Práticas simples para substituir a ação pela pausa


Se você identificou que sua ansiedade é de exaustão, tente estas ferramentas práticas (e rápidas):

  1. O "Nada" Estruturado: Não é meditação complexa. São 5 minutos sentado, apenas observando sua respiração, sem olhar para nenhuma tela.

  2. Escrita Terapêutica: O caos na cabeça parece maior do que é. Pegue um papel e caneta e despeje tudo o que está te preocupando. Esvaziar o "HD" mental ajuda a clarear a visão.

  3. O Poder do "Agora Não": Fale com você mesmo. "Eu vejo que você está ansioso, mas não vamos resolver isso agora. Primeiro, vamos beber um copo de água e caminhar 5 minutos". Dê ao seu cérebro uma ordem de pausa, não de execução.

Conclusão: Às vezes, a maior produtividade do seu dia será ter a coragem de não fazer nada até que o seu coração se acalme.

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©2025 por Uiara Melo

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